A EDUCAÇÃO EM SAÚDE ATRAVÉS DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES: O PODER DO REINVENTAR-SE FRENTE AS POSSIBILIDADES
DOI:
https://doi.org/10.13102/jeuefs.v2i2.6099Resumo
SILVA, R.C.L. da¹, SALOMÃO, L.C.A.¹, NASCIMENTO, A.C.², SILVA, D.J.J da², GUTIÉRREZ, I.E.M. de³
1-Discente Bacharelado em Enfermagem, Departamento de Saúde – UEFS. Bolsista PIBEX.
2-Discente Licenciatura em Educação Física, Departamento de Saúde – UEFS. Bolsista PIBEX.
3-Professora Orientadora, Departamento de Saúde – UEFS.
*Programa de Extensão Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) (RESOLUÇÃO CONSEPE 13/1992)
Palavras chaves: Extensão. Isolamento social. Tecnologia digital. Idosos.
Introdução
A extensão universitária tem papel fundamental na sociedade, pois constrói, dissemina e discute o conhecimento produzido dentro da Universidade, para e com a comunidade externa à ela, ocorrendo melhoria na qualidade de vida dos cidadãos (DINIZ,2020; RODRIGUES,2013).
Devido o distanciamento social, houve a necessidade da re(adaptação) da perspectiva de ensino-aprendizagem, do modo presencial para o digital, para que houvesse a continuidade das intervenções extensionistas de educação em saúde, e assim a divulgação sobre as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e o incentivo ao auto cuidado.
As PICS são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseado em conhecimentos tradicionais. Com o advento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, atualmente é ofertada 29 procedimentos de PICS à população (BRASIL,2019).
Material e métodos
Em contexto presencial, de julho a dezembro de 2019, os temas a serem tratados foram pré-definidos e socializados com os idosos cadastrados na oficina “Envelhecer Saudável através das PICS” da UATI, alvo do plano de trabalho “A adoção das Práticas Integrativas e Complementares para um envelhecer saudável”, tendo como objetivo principal a disseminação de conhecimento sobre as PICS, assim como suas vivências. Os encontros ocorriam uma vez por semana, com 30 idosas cadastradas, na UEFS.
A partir do advento da pandemia pelo COVID 19, por se tratar de público de grupo de risco, as intervenções iniciaram-se de maneira virtual, através das mídias digitais, (whastapp e instagram), no qual foram compartilhados vídeos e cards com temáticas que também abordavam ações de enfrentamento na pandemia. Para isso foram utilizados os programas Canva e Powtoon.
Resultados e discussão
No período presencial foi realizado cerca de 8 encontros presenciais com uma média de 20 idosas em cada, no qual se dialogou sobre as PICS com a realização de dinâmicas para beneficiar a interação, além da participação de palestrantes, discentes da UEFS e colaboradores externos para a abordagem sobre a dança circular, fitoterapia, massagem, yoga e bioenergética e temáticas como o cuidado da saúde física e mental e a importância do auto cuidado. A maior parte dos encontros vivenciou-se a prática da dança circular assim trabalhando a movimentação corporal, memória e cognição das idosas.
Através dos relatos das idosas pode-se observar os benefícios obtidos através da oficina, a valorização, o incentivo ao auto cuidado e a educação em saúde:
“Meu corpo se tornou mais leve depois da dança... aprendi até a fazer auto massagem”.
“As práticas são importantes para a movimentação do corpo da cabeça aos pés, eu me desligo dos problemas lá de fora e me afasto deles”.
“Depois da morte do meu marido entrei em um quadro depressivo e com a dança estou procurando uma forma de parar de tomar tantos remédios”.
O uso da massagem e da dança circular, traz inúmeros benefícios, como o relaxamento muscular, ativação da circulação sanguínea, fortalecimento dos músculos, alongamento das articulações, alívio das dores e estresse e melhora o sono (STEIDEL,2018).
No contexto remoto a ruptura total do contato e da rotina diária alterou suas vidas, o que poderia acarretar comprometimento da sua saúde física e mental. Nesse sentido a utilização das tecnologias digitais se mostrou como ferramenta para manter o contato entre o grupo, uma alternativa inovadora para dar continuidade das atividades com os idosos. No entanto algumas idosas possuíram dificuldades em relação ao acesso à internet, ao uso das ferramentas disponíveis nos smartphones e até mesmo o nível de letramento das idosas, dificultando o acesso ao conteúdo pelas mesmas. Assim, as idosas interagiam mais quando vídeos e áudios eram produzidos, dessa forma as temáticas abordadas virtualmente foram dança circular, terapia comunitária, assim como orientações quanto aos cuidados com a COVID-19.
Abordar a temática do envelhecer é ter a possibilidade de refletir as necessidades de transformações sociais, econômicas e políticas que visem a inclusão dos idosos nas esferas sociais, diminuindo assim os custos exorbitantes com doenças crônicas e incapacidades, mostrando a importância na prevenção de agravos e a importância do auto cuidar (SARAIVA, 2015).
Considerações finais
O contexto pandêmico oportunizou um novo olhar sobre a extensão universitária como também o poder de se reinventar e mostrar que se pode chegar até as pessoas através de ferramentas inovadoras através da tecnologia, favorecendo a comunicação e a transmissão de conhecimento, oportunizando assim, que os idosos possam passar por esse fase de maneira mais leve e prazerosa, através das atividades extensionistas.
Referências
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares (PICS): quais são e para que servem. 2019. Disponível em: https://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-integrativas-e-complementares . Acessado em: 11 de outubro de 2020.
DINIZ, E. G. M et al. A extensão universitária frente ao isolamento social imposto pela COVID-19. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 9, p. 72999-73010,2020.
RODRIGUES, A. L. L et al. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Cadernos de graduação - ciências humanas e sociais. V1, n.16, p.141-148,2013.
SARAIVA, M. A. et al. Histórias de cuidados entre idosos institucionalizados: as práticas integrativas como possibilidades terapêuticas. Rev. Enferm. UFSM- Jan/Mar 5(1): 131-140, 2015.
STEIDEL, S. K. K. Massagem relaxante na promoção da saúde do idoso. Rev. Uniplac 6 (1), 2018.
