SABERES DECOLONIAIS NA ESCOLA: UMA EXPERIÊNCIA FILOSÓFICA COM LÉLIA GONZALEZ
Palavras-chave:
Filosofia no ensino médio, Decolonialidade, Lélia Gonzalez, Educação para as relações étnico-raciais.Resumo
O ensino de Filosofia no Ensino Médio enfrenta o desafio de dialogar com a diversidade cultural e histórica brasileira. Este artigo apresenta e analisa a experiência pedagógica intitulada “Lélia Gonzalez e a Filosofia da Resistência: Saberes Afro-Indígenas em Movimento”, desenvolvida com seis turmas de 1ª série do Ensino Médio no âmbito do Programa de Iniciação à Docência (PIBID). O objetivo da prática foi promover uma abordagem decolonial e valorizar a presença de mulheres na Filosofia, combatendo o silenciamento de saberes afro-brasileiros e indígenas no currículo. Metodologicamente, a intervenção buscou articular questões de gênero, raça e classe a partir do pensamento de Lélia Gonzalez (1935-1994). O referencial teórico ancora-se nos conceitos de colonialidade do poder de Aníbal Quijano, na crítica ao eurocentrismo de Walter Mignolo e nas diretrizes da BNCC (2018) e do DCRB (2019) quanto aos temas integradores das relações étnico-raciais e de gênero. Os resultados indicam que a inserção de perspectivas decoloniais fortalece a formação crítica dos estudantes, permitindo-lhes identificar interseccionalidades de poder e atuar de forma reflexiva frente às discriminações na sociedade contemporânea.